Trabalhando na Disney

Dando continuidade à nossa série: Trabalhando na Disney, um depoimento lindo de um ex-Cast Member!

Nós já explicamos detalhadamente sobre o programa e como se faz para participar do processo de seleção nesse post aqui, e já compartilhamos da experiência de outras pessoas aqui mesmo no nosso Blog.

O relato de hoje é do Murilo Guimarães Salvador Papareli (Muris)  que trabalhou na Disney duas vezes: no ICP  em 2014/2015 e IPG  no ano de 2016.

murilo

Para quem não sabe o significado dessas siglas aí, a gente explica:

International College Program (ICP) e International Park Greeter (IPG).

O Murilo nos emocionou com esse relato e através da famosa frase de Walt Disney demontrou tudo o que sentiu na sua experiência: “Se você pode sonhar, você pode fazer.”

Vem ver o relato dele!

Série: Trabalhando na Disney! – entretenimento

No meu ICP em 2014/2015 eu era character performer e foi uma experiência incrível!

Eu tinha a oportunidade de me encontrar com os guests sempre em um momento feliz e emocionante para eles. É lógico que eu sempre sentia como se estivesse fazendo parte da vida deles de uma forma bem especial, porém sentia também que faltava alguma coisa nessa experiência tão maluca que é trabalhar na Disney. Eu não tinha colegas de trabalho e os guests não interagiam diretamente comigo, Murilo. O Tigger era um cara maravilhoso, porém o Murilo também queria dar um pouquinho de si para este mundo mágico.

Então, em 2016, voltei como Park Greeter. Finalmente conseguiria ajudar os guests e fazer minha parte, além de conseguir ter colegas de trabalho, que depois de algumas experiências, passaram a ser considerados minha família.

Dentre muitos episódios que vivemos e escrevemos juntos, teve um que foi além de qualquer coisa que poderíamos imaginar: o caso do Andrew.

Em uma tarde chuvosa (e quando é que não chove em Orlando?), estávamos todos tranquilos, presos nas poucas partes cobertas do Epcot. Eu estava seco e tranquilo próximo ao Character Spot, apontando algumas direções e ajudando alguns guests. Foi então que eu escutei meu amigo Cauê perguntando no rádio se alguém estava próximo à loja Mouse Gear. E lá estava eu: próximo. Porém, saberia que se ele falasse para eu ir até lá, teria que tomar uma bela chuva. Como eu imaginava, de fato eu precisaria ir até lá para buscar uma capa de chuva. Primeiro eu hesitei, mas ele falou que era com certa urgência. Corri até lá, peguei a capa de chuva e voltei ensopado para ver o que estava acontecendo. Fui até o local em que o Cauê estava e então que o conheci: o famoso Andrew.

Murilo

Ele estava próximo à parede junto com o Cauê e a Milene (também IPG). De longe, já entendi um pouco a situação, porém eu mal imaginava o quanto ela era ainda mais emocionante do que eu jamais imaginei.

Andrew estava sentado em uma cadeira de rodas. Cheguei conversando com ele, perguntando como estava seu dia e dizendo que o próprio Mickey me mandou entregar aquela capa de chuva para que ele pudesse continuar curtindo o Epcot. Foi então que reparei: Andrew também era cego.

Perguntei se ele já tinha aproveitado bastante o parque e se ele estava acompanhado. E aí mais uma surpresa. Ele estava sozinho.

Foi uma mistura de sentimentos e questionamentos: como poderia um rapaz cadeirante, cego e sozinho poderia estar aproveitando um dia chuvoso em um parque? Só com a ajuda da magia Disney mesmo e era isso que estávamos dispostos a fazer naquele momento, mais do que nunca!

Perguntamos para ele o que ele já tinha feito e o que ele ainda gostaria de fazer. Ele disse que gostava muito dos personagens, que no dia anterior, o Mickey havia falado com ele no Magic Kingdom e que ele queria conhecer o resto de sua turma. Informamos a ele que todos também gostariam de se encontrar com ele e foi então que em uma espécie de revezamento entre os integrantes desse grande time de park greeters do Epcot, levamos Andrew para um dia perfeito.

Conhecemos toda a turma do Mickey, onde todos eles convidaram Andrew a passar as mãos em seus rostos para que ele “visse” cada detalhe de suas feições e conhecesse os personagens de uma maneira única!

Levamos Andrew a alguns brinquedos e a cada segundo ele nos agradecia mais e mais, dizendo que este era o dia mais feliz de sua vida! Entre lágrimas, buscávamos cada vez mais coisas para agradá-lo. Como gratidão a um momento tão especial, demos um Pateta e um Donald de pelúcia para ele.

Porém, havia um pedido que não poderíamos conceder à Andrew. Ele queria que o Mickey falasse com ele mais uma vez antes que ele fosse embora. Explicamos que a única forma disso acontecer era voltando ao Magic Kingdom. Ele ficou muito triste em saber que para isso, teria que nos deixar, uma vez que não podemos sair mais cedo de nosso local de trabalho.

Fomos com ele ao Guest Relationsi onde ele fez upgrade de seu ingresso e fez questão de fazer uma carta de agradecimento à cada um de nós.

Acompanhamos ele até à porta do Monorail que o levaria para o Magic Kingdom, enquanto isso, entramos em contato com os park greeters do Magic Kingdom para que eles continuassem o atendimento que ele merecia.

Nesta despedida, ele nos agradeceu profundamente. Disse que nós salvamos seu dia, que trouxemos a ele mais motivos para continuar em sua luta diária,  que a Disney é realmente um local onde sonhos se realizam e que nós éramos muito especiais por fazer a magia acontecer.

Com esta experiência, tudo fez sentido. Não apenas meu programa de intercâmbio, mas o sonho do nosso amigo Walt. E a frase “Se você pode sonhar, você pode fazer.” nunca fez tanto sentido para mim e para a minha família: os park greeters do Epcot que fizeram este e muitos outros sonhos se tornarem realidade.

 

Se você já trabalhou na Disney e gostaria de compartilhar sua experiência conosco, envie seu relato para mcoservices@aol.com que publicaremos aqui com o maio prazer!

Não esqueça de mandar junto fotos suas para ilustrar o texto.

Até o próximo post!